domingo, 17 de maio de 2009

Ainda e sempre "Orgulhosamente sós"

Para além da "força" indiscutível da imagem....Onde está a palavra esquerda nesta mensagem?

sábado, 16 de maio de 2009

"Informare è una missione"

Bill Emmott (storico direttore dell'Economist).
"La mia opinione è che il comportamento pubblico di un leader sia definibile dal suo ruolo di governo, dalle sue responsabilità, dalla consistenza delle sue azioni. Ritengo però che, quando sei un primo ministro che si atteggia a simbolo della
nazione, come Berlusconi ha fatto fin dall'inizio della sua discesa in campo, con il suo presentare la sua vita come la 'Storia di un italiano', il confine tra pubblico e privato si confonde. Il privato non è più una faccenda riservata, quando lo usi per ottenere la tua affermazione pubblica. Berlusconi stesso ha incoraggiato i media a giudicarlo anche sotto la lente della sua vita privata".

(...) è parte dei doveri di un giornale, della missione di informare l'opinione pubblica. E' legittimo voler sapere che cosa lega il primo ministro a quella ragazza che ha appena compiuto 18 anni. Anche a me piacerebbe sapere la verità.

Ler texto integral aquiTutti gli articoli di politica
Por outras palavras:
Faz parte dos deveres de un jornal informar a opinião pública. Os casos Berlusconi (hoje) e Clinton (ontem) só podem passar a constituir informação, no sentido ético do termo, se os responsáveis pelos actos de foro privado tiverem infringido a regra da verdade, mentindo publicamente. Caso contrário, ou seja, fazer passar por infomação ou o direito à verdade assuntos de natureza privada dos políticos é não saber de que lado estamos ao informar.

porque os outros se mascaram mas tu não


Está a ocorrer um debate que merece a nossa maior atenção, pelo (pre)conceito mascarado de ciência que pode conter. Podem seguir aqui

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Filinto Elísio - oficina poética II


Promessa

Jamais deixarei morrer cá dentro o viés
que transforma esta amargura em poesia.
O grito que me teima, mas que tu guardas
no instante dos sentidos, saberá sempre
em mim como um sopro de vida.
E, se não vou à noite como quem vai à maresia,
começarás tu a dissipar a neblina
no horizonte dos caminhos por andar.
É-nos dado pouco tempo, mas naveguemos
numa alegria sem demora. Diante do mundo,
algo mais do que esta enseada de águas
mansas, não quererá a eternidade ser parte
do abalo ou do desvario. Simplicidade apenas,
de remanso com que as horas são batidas
monocórdicas no relógio. E todos os fados
são universos de cada transeunte.

Filinto Elísio, Cabo Verde.

Do prefácio de Pedro Tamen:

"E tudo isto sem concessões fáceis ao literal e cediçamente poético que, com tanta facilidade, mascara de poetas alguns fazedores de versos. O autodomínio quase feroz do discurso de Filinto Elísio revela-o, sim, como um poeta "que sabe do seu ofício" mas que, de modo austero e, quase diria, monástico, oculta o seu saber(...).

Título: Li Cores e Ad Vinhos, edição Letras Várias, Edição e Arte, Abril 2009. Desenhos de Mito Elias, artista plástico a três dimensões, que poderão ver aqui.

Pausa

nina nana

imagem enviada por Cipriano Justo - artista não identificado


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Jornalismo de excelência

Lo que pasa y no se cuenta. Lo que se ve y no se dice. La actualidad y el pasado en un blog que mezcla artes, política y fútbol. Como una plaza pública.
Juan Cruz, escritor y periodista canario, adjunto a la dirección de EL PAÍS. Su último libro es 'Ojalá Octubre', y el próximo, 'Toda una vida preguntando'. Es autor de 'Una memoria de EL PAÍS'.
Faço minhas as suas declarações de intencões. Ver link.

procura-se notícia (desaparecimento misterioso)

Esta manhã, ao consultar o noticiário Google - diga-se de passagem, cada vez mais inexacto - deparei de imediato com a novidade do dia Vital Moreira defende auto-suspensão no caso Lopes da Mota .
Interrompi a tarefa da leitura por breves momentos.
A história da cadeira que contei aqui voltou a repetir-se: a notícia tinha desaparecido. Misteriosamente, sem deixar rasto/rastro (à maneira da Google). Não me digam que isto não é jornalismo... e do bom!

felizes coincidências...

Aqui ao lado, podem ouvir a peça da jornalista Bárbara Baldaia (TSF), que não tenho a honra de conhecer. Por coincidência, o apelido Baldaia é, sem mais nem menos, o do actual director da TSF, Paulo Baldaia. Podem ler mais aqui

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Barriga de aluguer - certidão de nascimento


Editorial: O dia da mãe de todas as liberdades 03.05.2009 - 17h02 Nuno Pacheco
Comentário publicado no Público 04.05.2009 - 11h53 - armandina maia, Lisboa, Portugal

Em primeiro lugar, uma (pequena) correcção: a liberdade em si é a maior conquista do homem. O Jornalismo é um pilar dessa mesma liberdade. Falo aqui de Jornalismo. Não necessariamente de quem o faz em campos de batalha, mas dos poucos que ainda o fazem com espírito de missão. Não implica isto que se tenha de ser linear e "básico" no que se descreve. Um Jornalista reescreve o que acontece. Ilumina os outros com o seu relato. Acrescenta-lhes mais qualquer coisa.
Claro que o Jornalismo não escapou ao assalto do patronato do vale-tudo. E foi pena. Porque acomodaram-se tanto, vestiram tantas camisolas que, a certa altura, já não sabemos o que é de quem .
Um Jornalista TEM de ser capaz de denunciar o caminho do facilitismo, do sangue fácil, do fait-divers. Ou então, assume-se como mais um carneiro do rebanho. É a isso que temos vindo a assistir, em espaços de audiência em que se espraiam os egos, as ideologias e até, às vezes "os mandantes" que lhes pagam as cabeças formatadas. Triste feudo este! A tal mãe de todas as liberdades pouco mais é agora do que uma barriga de aluguer.
Mas há Jornalismo diferente? Claro que há. Basta olhar bem à nossa volta. Ou dar um salto aos jornais desta europazinha onde vivemos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

velvet underground

quem foi ao mar...perdeu o lugar...


Numa tarde esplendorosa em que se festejava o "nosso" NOBEL, um exímio e talentoso fotógrafo, Daniel Mordzinsky, juntou os convidados para uma "fotografia de família". A ideia era que José Saramago "passeasse" tendo como fundo a imagem do grupo.

Por um instante, levantei-me da cadeira que ocupava e dei dois passos, para tratar de uma questão urgente da organização.

Passos fatais, evidentemente. Quando voltei ao lugar, ele estava seraficamente ocupado por alguém vigilante e atento à minha distracção.

Moral da história: fiquei de fora (acontece às melhores famílias)...

domingo, 10 de maio de 2009

há sempre alguém que morre para alguém se guindar na vida

O homem que matou Liberty Valance

Se bem estamos lembrados, o homem que matou Liberty Valance, não foi o homem que matou Liberty Valance. E no entanto foi ele que chegou a senador. E o verdadeiro, o que matou Liberty Valance, acabou por nunca sair da sombra de um quotidiano anódino. É um western de 1962, dirigido por John Ford, que vale a pena rever. Porque a moral da história é a seguinte: há sempre alguém que mata e há sempre alguém que morre para alguém se guindar na vida. De alguma maneira, é o que se está a passar, com o darwinismo social a tomar o freio nos dentes e a eliminar os maus da fita. Só que agora o mau da fita não é o Lee Marvin são milhões, que o capitalismo está a classificar como foras-da-lei. É verdade que o senador saiu de cena a 20 de Janeiro, mas o autor dos disparos mantém-se vivo e, quem sabe, acabará por morrer de velho e nunca ir a julgamento. Pelo menos continua a ser considerado um homem de bem entre os frequentadores do saloon.

Cipriano Justo 8 de Maio de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

Oficina poética


Affonso Romano de Sant'Anna

Sou um dos 999.999 poetas do país
(Fragmento 2)
DESENVOLVIMENTO HÁBIL E CONTÁBIL DO (P)R(O)BL(EMA)

Sendo um dos 999.999 poetas do país
desses sou um dos 888.888
que tiveram Mário, Bandeira, Drummond,
Murilo, Cecília, Jorge e Vinícius como mestres
e pelas noites interioranas abriam suas obras
lendo e reescrevendo os versos deles nos meus versos
com deslumbrada afeição.
Desses sou um dos 777.777 poetas
que se ampliaram ao descobrir Neruda, Pessoa,
Petrarca, Eliot, Rilke, Whitman, Ronsard e Villon
em tradução ou não
e sem qualquer orientação iam curtindo
um bando de poetas menores/piores
que para mim foram maiores
pois me alimentavam com a in-possível poesia
e a derramada emoção.
Desses sou um dos 666.666 poetas
que fundando revistinhas e grupelhos aspiravam
(miudamente)
à glória erótica & literária
e misturando madrugadas, festas, citações, sonhos
de escritor maldito e o mito das gerações
depois da espreita aos suplementos
batem à porta do poeta nacional para entregar
poemas
(com a alma na mão)
esperando louvor e afeição.
Desses sou um dos 555.555
que um dia foram o melhor poeta de sua cidade
o melhor poeta de seu estado
dos melhores poetas jovens do país
e quando já se iam laureando aqui e ali em plena arcádia
surpreenderam-se nauseados
e cobrindo-se de cinza retiraram-se para o deserto
a refazer a letra do silêncio
e o som da solidão.
Desses sou um dos 444.444 poetas
que depois da torrente de versos adolescentes e noturnos
se estuporaram per/vertidos nas vanguardas
e por mais de 20 anos não falamos de outra coisa
senão da morte do verso e da palavra e da vida do sinal
acreditando que a poesia tendia para o visual
e que no séc. XXI etc. e etc. e tal.
Desses sou um dos 333.333 poetas
que depois de tanto rigor, ardor, odor, horror
partiram para a impureza (consciente) das formas
podendo ou não rimar em ar e ão
procurando o avesso do aprendido
o contrário do ensinado
interessado não apenas em calar, mas em falar
não apenas em pensar, mas em sentir
não apenas em ver, mas contemplar
fugindo do falso novo como o diabo da cruz
porque nada há de mais pobre que o novo ovo de ouro
gerado por falsas galinhas prata.

Desses sou um dos 222.222 poetas
que penosamente descobriram que uma coisa
é fazer um verso, um poema ou mais
e receber os elogios médio-medianos dos amigos
e outra, bem outra, é ser poeta
e construir o projeto de uma obra
em que vida & texto se articulem
letra & sangue se misturem
espaço & tempo se revelem
e que nesta matéria revém o dito bíblico
- muitos os chamados, poucos os escolhidos.
Desses sou um dos 111.111 professores
universitários ou não
que antes de tudo eram poetas-patetas-estetas-profetas
e que depois de ver e viver da obra alheia
estupefactos
descobrem que só poderiam/deveriam
sobreviver
com a própria
que escondem e renegam
por pudor
recalque
e medo.

Sou um dos 999 poetas do país
que
sub/traídos dos 999.999
serão sempre 999 (anônimos) poetas
expulsos sistematicamente da República por Platão
que um dia pensaram em mudar a História com
dois versos pena & espada
(o que deu certo ao tempo de Camões)
e que escrevendo páginas e páginas não mudaram nada
senão de tinta e de endereço
Mas foi dessa inspeção ao nada que aprenderam
que na poesia o nada se perde
o nada se cria
e o nada se transforma.


Affonso Romano de Sant'Anna (Brasil)

Pausa


Uma política. De verdade???


A imagem não dá mesmo para mais. É o que temos. Mas há alternativas para isto. Chama-se marketing:
1. Uma mentira de cada vez. Exemplo: Não desista!
2. Evitar co-incidências gráficas com coelhinhos famosos. Exemplo: Playboy
3. Rever o slogan, "uma política de verdade": nas suas passagens pelos ministérios, o que tivemos mais com esta senhora foram políticas de verdade.

Pedro namora PPM

É caso para dizer que, afinal, se fez justiça. Pelas suas próprias mãos.